
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
De Eduardo Legal:
"A rigidez mental advém de cinco preceitos causadores do sofrimento:
ignorância, egoísmo, apego, aversão e medo."
ignorância, egoísmo, apego, aversão e medo."
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Pra pensar...
Uns dizem que o texto é do Veríssimo. Procurando na internet, achei numa página do Correio do Sul, como autor do texto que segue, Paulo Hamilton, professor aposentado em Naviraí/MS.
Originalmente, o texto no Correio data de 11 de março de 2010. Imaginem na edição deste ano de 2011 o que não daria de páginas e páginas escritas...
Vale a pena ler.
SOBRE BBB - "A Grande Porcaria"
Há dias atrás, lendo um artigo do poeta, compositor musical e escritor de renome Marcelo Guido, publicado no Usina de Letras, em 02/03/00, fiquei a refletir sobre o seu ponto de vista acerca do programa BBB, em seu artigo: BBB: Bela Bo$ta Brasileira (grifo do autor). Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço.
A décima (está indo longe) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência. Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo.
O BBB 10 é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir este programa ao lado dos filhos e netos. Gays, lésbicas, heteros...todos na mesma casa, a casa dos heróis, como são chamados por Pedro Bial.
Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadezas ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterossexuais. O BBB 10 é a realidade em busca do IBOPE: é putaria ao vivo!!! (com o perdão da expressão).
Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB 10. Ele prometeu um zoológico humano divertido. Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.
Se entendi corretamente as apresentações, são 15 os animais do zoológico: o judeu tarado, o gay afeminado, a dentista gostosa, o negro com suingue, a nerd tímida, a gostosa com bundão, a não sou piranha mas não sou santa, a modelo Mr.Maringá, a nordestina sorridente, a lésbica convicta, a DJ intelectual, o carioca marrento, o maquiador drag-queen e a PM que gosta de apanhar (essa é pra acabar!!!).
Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial, que faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.
Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis? São esses nossos exemplos de heróis?
Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor e quase sempre são mal remunerados.
Heróis são milhões de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo santo dia.
Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna. Heróis são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, ONGs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína Zilda Arns).
Heróis são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo.
O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral.
São apenas pessoas que se prestam a comer, beber, tomar sol, fofocar, dormir e agir estupidamente para que, ao final do programa, o escolhido receba um milhão e meio de reais. E aí vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a “entender o comportamento humano”.
Ah, tenha dó!!!
Veja o que está por trá$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais (o último paredão foram 92 milhões de ligações).
Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.
Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programa de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros?
Poderiam ser feitas mais de 520 casas populares ou comprar mais de 5.000 computadores).
Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores. Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um artigo do Jabor, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema..., estudar..., ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins..., telefonar para um amigo..., visitar os avós..., pescar..., brincar com as crianças..., namorar... ou simplesmente dormir.
Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construído nossa sociedade.
Originalmente, o texto no Correio data de 11 de março de 2010. Imaginem na edição deste ano de 2011 o que não daria de páginas e páginas escritas...
Vale a pena ler.
SOBRE BBB - "A Grande Porcaria"
Há dias atrás, lendo um artigo do poeta, compositor musical e escritor de renome Marcelo Guido, publicado no Usina de Letras, em 02/03/00, fiquei a refletir sobre o seu ponto de vista acerca do programa BBB, em seu artigo: BBB: Bela Bo$ta Brasileira (grifo do autor). Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço.
A décima (está indo longe) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência. Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo.
O BBB 10 é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir este programa ao lado dos filhos e netos. Gays, lésbicas, heteros...todos na mesma casa, a casa dos heróis, como são chamados por Pedro Bial.
Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadezas ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterossexuais. O BBB 10 é a realidade em busca do IBOPE: é putaria ao vivo!!! (com o perdão da expressão).
Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB 10. Ele prometeu um zoológico humano divertido. Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.
Se entendi corretamente as apresentações, são 15 os animais do zoológico: o judeu tarado, o gay afeminado, a dentista gostosa, o negro com suingue, a nerd tímida, a gostosa com bundão, a não sou piranha mas não sou santa, a modelo Mr.Maringá, a nordestina sorridente, a lésbica convicta, a DJ intelectual, o carioca marrento, o maquiador drag-queen e a PM que gosta de apanhar (essa é pra acabar!!!).
Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial, que faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.
Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis? São esses nossos exemplos de heróis?
Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor e quase sempre são mal remunerados.
Heróis são milhões de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo santo dia.
Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna. Heróis são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, ONGs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína Zilda Arns).
Heróis são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo.
O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral.
São apenas pessoas que se prestam a comer, beber, tomar sol, fofocar, dormir e agir estupidamente para que, ao final do programa, o escolhido receba um milhão e meio de reais. E aí vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a “entender o comportamento humano”.
Ah, tenha dó!!!
Veja o que está por trá$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais (o último paredão foram 92 milhões de ligações).
Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.
Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programa de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros?
Poderiam ser feitas mais de 520 casas populares ou comprar mais de 5.000 computadores).
Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores. Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um artigo do Jabor, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema..., estudar..., ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins..., telefonar para um amigo..., visitar os avós..., pescar..., brincar com as crianças..., namorar... ou simplesmente dormir.
Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construído nossa sociedade.
COMPLACÊNCIA
A complacência faz com que não se valorize esforços, não se apreenda a diferença entre certo e errado, da razão direta entre as escolhas e suas conseqüências, do estrago causado pela cultura do imediatismo, quando o porvir não é analisado e sonhos não são mais desfrutes para mente e corpo – ao agir para alcançá-los.
Tudo que se quer é o momento presente e o “realize agora o meu desejo”. Pensar? Que nada! Apenas o instinto, coisa que é mais animalesca do que racional; o que leva uma pessoa a crescer sem noção de convivência social, ajuda mútua, colaboração, empatia, princípios, valores, ética e virtudes...
A complacência alimenta o hedonismo.
Tudo que se quer é o momento presente e o “realize agora o meu desejo”. Pensar? Que nada! Apenas o instinto, coisa que é mais animalesca do que racional; o que leva uma pessoa a crescer sem noção de convivência social, ajuda mútua, colaboração, empatia, princípios, valores, ética e virtudes...
A complacência alimenta o hedonismo.
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Cordel Natalino
Gente!!! Minha querida Keninha mandou pra mim, mas vi com atraso! Vale a pena: http://www.youtube.com/watch?v=n7fa8Zp-kC4
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Destino - Luis Felipe Pondé
O DESTINO HUMANO é sobretudo fisiológico. Carregamos moiras em nossas células. Kafka tinha fixação em janelas como o lugar onde se envelhece. Seus “heróis” envelhecem na janela à espera da resposta acerca de seu próprio desaparecimento. Esse desaparecimento é uma da formas de o destino se revelar enquanto ainda estamos vivos: o envelhecimento. A vida moderna, voltada para o progresso, mostra sua ambigüidade de forma grotesca no modo como se relaciona com o destino fisiológico do ser humano, que é virar pedra.
Nunca tivemos nas mãos tantas técnicas para retardar o envelhecimento nem tanta consciência de nossa nulidade. Envelhecer hoje nada significa porque o idoso não é mais o narrador da vida. Ele nada mais é do que um corpo que cai no reino mineral. E são tantos os idosos que já sabemos que a maioria deles nada sabe e nada vale como narradores porque eles mesmos querem “aprender” com os mais jovens. Um mundo que endeusa o futuro (os mais jovens) é um mundo sem futuro. Quanto mais exaltamos as tecnologias da juventude, mais declaramos que a vida é um nada que despenca no abismo. A diferença é que hoje sabemos (ou achamos que sabemos) que os idosos nada sabem e, portanto, nada valem.
Uma sociedade como a nossa, em que o jovem é o critério de valor, necessariamente esmaga qualquer dignidade possível do envelhecimento. Quando um pai ou uma mãe quer ser como o filho ou a filha, ele ou ela nega o futuro para sua prole porque demonstra, na sua ridícula esperança de eterna juventude, que não vale a pena viver.
Nunca tivemos nas mãos tantas técnicas para retardar o envelhecimento nem tanta consciência de nossa nulidade. Envelhecer hoje nada significa porque o idoso não é mais o narrador da vida. Ele nada mais é do que um corpo que cai no reino mineral. E são tantos os idosos que já sabemos que a maioria deles nada sabe e nada vale como narradores porque eles mesmos querem “aprender” com os mais jovens. Um mundo que endeusa o futuro (os mais jovens) é um mundo sem futuro. Quanto mais exaltamos as tecnologias da juventude, mais declaramos que a vida é um nada que despenca no abismo. A diferença é que hoje sabemos (ou achamos que sabemos) que os idosos nada sabem e, portanto, nada valem.
Uma sociedade como a nossa, em que o jovem é o critério de valor, necessariamente esmaga qualquer dignidade possível do envelhecimento. Quando um pai ou uma mãe quer ser como o filho ou a filha, ele ou ela nega o futuro para sua prole porque demonstra, na sua ridícula esperança de eterna juventude, que não vale a pena viver.
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
CORTINA DE BURRICE*
A Revolução Russa propôs-se a criar o “paraíso socialista”, cujo cardápio foi parido por intelectuais europeus. Na teoria, todos tinham direito a habitação, emprego, comida, escola e ópera. Mas a dieta era parca e o povão queria consumir mais. Daí a necessidade do que Churchill chamou de Cortina de Ferro, para não deixar que os russos bisbilhotassem o que consumia o mundo capitalista decadente. Para os xeretas, punições ferozes. Mas os seus líderes cometeram um erro, criaram também um estupendo sistema educativo para todos. Foi uma besteira, pois não houve maneiras de impedir um povo educado de ver o que acontecia do lado de fora. O resultado foi a estrepitosa queda do Muro de Berlim.
Os governantes brasileiros fizeram muito melhor. Abriram tudo, viaja-se a vontade. Mas não cometeram o erro dos russos. A garantia de isolamento do país está em uma educação de péssima qualidade e conta-gotas. Assim nasceu uma Cortina de Burrice, muito mais eficaz, pois somos um país isolado do resto do mundo. Os que se aventuram ao exterior vão à Disneylandia, um mero parque de diversões, ou a Miami, uma sucursal do Brasil.
Nossas universidades estão fora das listas das melhores, resultado da Cortina de Burrice, pois perdem pontos nos quesitos internacionalização. Nas européias, muitos cursos são oferecidos em inglês. Conheci um sueco que fez seu doutorado em Estocolmo, há quatro décadas. Quando entregou o primeiro trabalho, no seu idioma, foi interpelado pelo professor: “O senhor não terá futuro acadêmico, se continuar a escrever nesta língua!”. Visitei a fábrica Seiko (japonesa) na China. A língua oficial era o inglês. O mesmo em Toulouse, na fábrica do Airbus.
O resultado do nosso isolamento é uma indústria provinciana que não toma conhecimento dos avanços alhures. Há esforços heróicos, como uma construtora brasileira que comprou uma empresa no Canadá, para mandar estagiar seus engenheiros. Assim veriam como se constrói lá. Mas é a exceção.
Ao lermos as descrições feitas por viajantes estrangeiros que passaram pelo Brasil, constatamos o primitivismo da nossa sociedade. Se a corte permanecia tosca, o interiorzão está ainda mais distante do progresso social acumulado pela Europa, em 2 000 anos. Progredimos muito desde então. Mas as cicatrizes do atraso estão por todos os lados. Limitemo-nos a olhar os valores que a civilização ocidental amadureceu, em meio a guerras, perseguições e sangue. O que pode aprender um jovem que vai ao Primeiro Mundo, a fim de conviver com o povo, não com o guia nem com o motorista do ônibus do pacote turístico? Vejamos:
• O valor do futuro, de pensar no amanhã, ao invés do hoje (a essência da sustentabilidade do meio ambiente).
• O sentido de economia, de não esbanjar, de não se exibir, à custa do magro orçamento.
• O hábito automático de cumprir o prometido (um amigo tenista, no Rio, não encontrou os parceiros combinados para o dia seguinte. Em Washington, estavam lá para o compromisso combinado três semanas antes).
• Trabalho manual não é humilhante. Usar as mãos educa.
• Cumprir a lei, branda ou dura. Uma vez aprovada, é para valer.
• Respeito pelo próximo, no trânsito, no silêncio e em tudo o mais.
• Segurança pessoal (Deixar o carro em um ermo e encontrá-lo ileso, no dia seguinte).
• Quem vigia tudo é a sociedade, mais do que a polícia.
• Profissionalismo. Há uma maneira melhor de fazer as coisas. O profissional a conhece e a aplica.
Desdenhamos tal herança e macaqueamos hábitos cretinos e modas tolas. Agora temos “delivery” de pizza e “Sales” com preços imperdíveis. Importamos o crack, as tatuagens, o Big Brother e, de repente, saímos todos com uma garrafa de água mineral na mão, para socorrer uma súbita e fatal crise de sede, no quarteirão seguinte. Pelo menos as senhoras elegantes do Rio já não usam mais casacos de pele nas recepções.
* Cláudio de Moura Castro
Os governantes brasileiros fizeram muito melhor. Abriram tudo, viaja-se a vontade. Mas não cometeram o erro dos russos. A garantia de isolamento do país está em uma educação de péssima qualidade e conta-gotas. Assim nasceu uma Cortina de Burrice, muito mais eficaz, pois somos um país isolado do resto do mundo. Os que se aventuram ao exterior vão à Disneylandia, um mero parque de diversões, ou a Miami, uma sucursal do Brasil.
Nossas universidades estão fora das listas das melhores, resultado da Cortina de Burrice, pois perdem pontos nos quesitos internacionalização. Nas européias, muitos cursos são oferecidos em inglês. Conheci um sueco que fez seu doutorado em Estocolmo, há quatro décadas. Quando entregou o primeiro trabalho, no seu idioma, foi interpelado pelo professor: “O senhor não terá futuro acadêmico, se continuar a escrever nesta língua!”. Visitei a fábrica Seiko (japonesa) na China. A língua oficial era o inglês. O mesmo em Toulouse, na fábrica do Airbus.
O resultado do nosso isolamento é uma indústria provinciana que não toma conhecimento dos avanços alhures. Há esforços heróicos, como uma construtora brasileira que comprou uma empresa no Canadá, para mandar estagiar seus engenheiros. Assim veriam como se constrói lá. Mas é a exceção.
Ao lermos as descrições feitas por viajantes estrangeiros que passaram pelo Brasil, constatamos o primitivismo da nossa sociedade. Se a corte permanecia tosca, o interiorzão está ainda mais distante do progresso social acumulado pela Europa, em 2 000 anos. Progredimos muito desde então. Mas as cicatrizes do atraso estão por todos os lados. Limitemo-nos a olhar os valores que a civilização ocidental amadureceu, em meio a guerras, perseguições e sangue. O que pode aprender um jovem que vai ao Primeiro Mundo, a fim de conviver com o povo, não com o guia nem com o motorista do ônibus do pacote turístico? Vejamos:
• O valor do futuro, de pensar no amanhã, ao invés do hoje (a essência da sustentabilidade do meio ambiente).
• O sentido de economia, de não esbanjar, de não se exibir, à custa do magro orçamento.
• O hábito automático de cumprir o prometido (um amigo tenista, no Rio, não encontrou os parceiros combinados para o dia seguinte. Em Washington, estavam lá para o compromisso combinado três semanas antes).
• Trabalho manual não é humilhante. Usar as mãos educa.
• Cumprir a lei, branda ou dura. Uma vez aprovada, é para valer.
• Respeito pelo próximo, no trânsito, no silêncio e em tudo o mais.
• Segurança pessoal (Deixar o carro em um ermo e encontrá-lo ileso, no dia seguinte).
• Quem vigia tudo é a sociedade, mais do que a polícia.
• Profissionalismo. Há uma maneira melhor de fazer as coisas. O profissional a conhece e a aplica.
Desdenhamos tal herança e macaqueamos hábitos cretinos e modas tolas. Agora temos “delivery” de pizza e “Sales” com preços imperdíveis. Importamos o crack, as tatuagens, o Big Brother e, de repente, saímos todos com uma garrafa de água mineral na mão, para socorrer uma súbita e fatal crise de sede, no quarteirão seguinte. Pelo menos as senhoras elegantes do Rio já não usam mais casacos de pele nas recepções.
* Cláudio de Moura Castro
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